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Entre perdas e ganhos, partidas e chegadas, 2021 foi o ano do nascimento da "Confraria dos Beletristas”

"Há um livro em cada um de nós", ponderou Clarice Lispector ao escrever "Um sopro de vida". Pensando em estimular o interesse literário e o pensamento crítico, o TRT da 24ª Região criou a "Confraria dos Beletristas", projeto de cunho lúdico-literário. Desde março de 2021, foram realizados oito saraus promovendo encontros mensais para discutir grandes clássicos da literatura.

Uma vez por mês, foi promovido um sarau literário conduzido por um futuro confrade ou confreira, que expôs uma obra literária e promoveu um debate sobre o assunto. Com duração máxima de duas horas, os encontros sempre extrapolaram o horário, com debates encalorados dos entusiastas da literatura. 

E não faltou diversidade na escolha dos livros. Houve clássico da tragédia inglesa, clássico da língua portuguesa, obra do autor brasileiro mais adaptados para cinema e teatro, livro de um dos maiores cronistas da literatura inglesa. Mas também teve obra de autor regional, falando da Retirada da Laguna, e escritores modernos mas não menos cativantes e intrigantes.

Retrospectiva

O primeiro Sarau Literário da Confraria dos Beletristas foi realizado em 19 de março de 2021. O convidado foi o então Presidente do TRT24, desembargador Amaury Rodrigues Pinto Junior, que fez a análise da obra "A Ira dos Anjos", de Sidney Sheldon.

O segundo trouxe como expositora a Procuradora-Chefe do MPT, Cândice Gabriela Arosio, que trouxe a loucura na obra Machadiana com "O Alienista".

O terceiro Sarau, realizado em maio, trouxe a "A Revolução dos Bichos", de George Orwell. A juíza do Trabalho da 14ª Região, Fernanda Antunes Marques Junqueira, trouxe à cena o enredo que envolve Napoleão, Bola-de-neve e Garganta.

No início de julho, mistérios, investigação, heresia e uma biblioteca proibida acaloraram os debates do 4º Sarau. O convidado foi o então vice-Presidente do TRT/MS, desembargador André Luís Moraes de Oliveira, que fez a análise da obra de Umberto Eco, "O Nome da Rosa", livro traduzido para trinta idiomas e que vendeu mais de R$10 milhões de exemplares em todo o mundo.

No fim do mês de julho foi a vez dos servidores do TRT/MS, Élida Martins de Oliveira e Francisco das Chagas Brandão da Costa, trazerem a obra de Jorge Amado, "Capitães da Areia", um romance moderno,  de denúncia social, focado nos meninos de rua de Salvador.

Em setembro, a história príncipe da Dinamarca regeu os debates do 6º Sarau. O juiz Flávio da Costa Higa apresentou "Hamlet", de Willian Shakespeare e trouxe uma das tragédias mais conhecidas e célebres da língua inglesa, repleta de desconfianças, traições, loucura e morte.

A obra escolhida pelo juiz Trabalho Christian Gonçalves Mendonça Estadulho trouxe um ar diferente para o 7º Sarau.  Em novembro, o debate foi sobre um dos mais conhecidos episódios da Guerra do Paraguai, a Retirada da Laguna, contada pelo autor regional de Acyr Vaz Guimarães na obra "Seiscentas Léguas a Pé".

O último e mais recente Sarau do ano serviu como palco para debate de uma obra atual, de um jovem escritor e por uma jovem expositora. A 8ª edição trouxe a estudante do ensino médio, Júlia Monteiro de Lauro Silva,  que aceitou o desafio e expôs o livro Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior.  Numa trama conduzida com maestria e com uma prosa melodiosa, o romance conta uma história de vida e morte, de combate e redenção envolvendo as irmãs Bibiana e Belonísia.

E o Sarau Literário não se encerra com o findar do ano de 2021. Para 2022 já há inscritos e muita literatura prevista para uma sexta-feira de cada mês.

Homenagem

A Confraria dos Beletristas fez um vídeo de retrospectiva do Sarau Literário ao longo de 2021. Como não poderia deixar de ser, também é uma homenagem ao diretor da Escola Judicial, desembargador Nery Sá e Silva de Azambuja, que acolheu a ideia de debater literatura uma vez por mês e, sobretudo, de confraternizar.  

"A nossa confraria pretende sair da discussão só jurídica e nos dar a oportunidade de ampliar os debates para questões culturais. Além de ser um momento de lazer, porque um bom livro nos proporciona emoção e prazer, e claro, de confraternização. Eu tenho certeza de que nós perceberemos que desse encontro outras riquezas de vida nós vamos encontrar".

E encontramos...

Assista a homenagem: