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Vozes que inspiram: histórias de força, dedicação e propósito na Justiça do Trabalho

Mulher,
Mulher quer ser um espelho,
Quer ser o que lhe contrasta
Quer ser o que lhe constrói,
Quer ser o que lhe devasta
Mulher só quer ser mulher
E o ser mulher
Já lhe basta. Bráulio Bessa


Os versos do poeta Bráulio Bessa traduzem a complexidade, a força e a multiplicidade de ser mulher. No dia 8 de março, quando se celebra o Dia Internacional da Mulher, a Ouvidoria da Mulher do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região dá voz a histórias que revelam, na prática, o significado dessa essência: mulheres que constroem suas trajetórias com coragem, dedicação e propósito.

A data comemorativa surgiu no início do século XX, a partir das lutas femininas por melhores condições de trabalho, igualdade salarial e direito ao voto nos Estados Unidos e na Europa. Mais de um século depois, essas conquistas continuam sendo fortalecidas diariamente por mulheres que ocupam espaços de decisão, equilibram múltiplos papéis e transformam suas realidades e as das futuras gerações.

No Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, essas histórias ganham rosto, voz e significado. 

Vocação que nasce do exemplo e transforma vidas 
 



A trajetória da juíza do trabalho Kelly Cristina Monteiro Dias Estadulho é marcada pela inspiração familiar e pela superação. Sua primeira referência foi a própria mãe, que rompeu padrões de sua geração ao construir uma carreira profissional.  “Ela mostrou que as mulheres podem ocupar seu lugar no mundo do trabalho como um direito e quase como um dever, para inspirar outras mulheres e filhos”, relembra. 

A entrada no TRT/MS ocorreu ainda na juventude, após a perda do pai, quando assumiu responsabilidades familiares e iniciou sua carreira como servidora do tribunal. Foi nesse ambiente que encontrou sua vocação para a magistratura, inspirada pelo então juiz titular da vara, Amaury Rodrigues, e também por juízas que abriram caminhos em um espaço ainda predominantemente masculino. “Percebi que aquele lugar também poderia ser ocupado por mulheres”, afirma. 

Maternidade e carreira: um equilíbrio possível 

Conciliar a magistratura com a maternidade foi um dos maiores desafios de sua vida. “Cheguei a pensar em largar a magistratura após o nascimento da minha primeira filha. No entanto, a minha mãe me encorajou a não desistir, afirmando que esse sentimento é normal e que somos capazes de equilibrar tudo”, recorda. Durante a gestação da terceira filha, enfrentava viagens semanais para realizar audiências, enquanto deixava as outras duas crianças em casa.

Hoje, o maior reconhecimento vem do olhar das próprias filhas, que cresceram testemunhando sua dedicação. “Crescer vendo uma mãe que assumia responsabilidades e tomava decisões importantes foi inspirador. Ela era uma mulher forte no trabalho e, ao mesmo tempo, sempre foi mãe antes de tudo, relata a filha Ana Júlia.

Para Maria Clara, elas sempre tiveram uma mãe que, pelo exemplo, deixou um legado de valores. “Eu acho que uma atitude que nos marcou muito é que tínhamos o hábito de ler juntas à noite”. 
Mesmo diante das ausências inevitáveis, o exemplo deixou marcas positivas. “Ela sempre se esforçava para estar presente. Isso nos ensinou a importância do trabalho, da responsabilidade e de acreditar nos nossos sonhos”, afirma Maria Eduarda. 

Mais do que uma referência profissional, a magistrada transmitiu valores que moldaram a identidade das filhas. “Com ela, eu aprendi que ser mulher é ser múltipla, é se permitir ser forte e ao mesmo tempo sensível, é se permitir estar em cargo de liderança e ao mesmo tempo ser mãe e ser muito feliz com isso”, conclui Ana Júlia. 

Vocação e projeção profissional: o sonho construído com dedicação
 

 

A trajetória da juíza do trabalho Keethlen Fontes Maranhão é marcada pela construção de um sonho dentro da própria instituição. Sua história com a Justiça do Trabalho começou aos 19 anos, quando ingressou como servidora. Ao longo de 35 anos de carreira, percorreu funções até alcançar a magistratura, resultado de dedicação e perseverança.

Ela relembra que o sonho não surgiu de forma imediata, mas foi sendo construído com o tempo. “Eu fui construindo esse sonho dentro da Justiça do Trabalho. A partir do momento que eu comecei a trabalhar na Justiça do Trabalho, eu quis fazer Direito e, quando eu me formei, eu quis ser magistrada. 

A conquista não veio sem desafios. Foram anos de preparação até a aprovação no concurso, período que exigiu renúncias. “Não desistam nunca. Eu levei sete anos para passar no concurso da magistratura e em nenhum momento pensei em desistir”. 

Natural do interior do Amazonas, sua trajetória também carrega a força das mulheres de sua família, que sempre a inspiraram a seguir em frente. “As mulheres da minha família me inspiraram na força dos propósitos. Elas não viam obstáculos. Elas executavam seus sonhos.” 
Para ela, a dedicação é o elemento fundamental para alcançar qualquer objetivo. “A sua dedicação é primordial. Foi a minha dedicação que me trouxe até aqui.”

Sensibilidade e força na construção de uma carreira pública
 



A trajetória de Marinez Costa de Oliveira também é marcada pela perseverança e pelo compromisso. Há 20 anos no TRT/MS, atualmente atua na Presidência, exercendo uma função que exige organização, responsabilidade e sensibilidade. “A dedicação é grande. É preciso gostar do que faz e estar sempre disposta a aprender”, afirma. 

Sua rotina envolve o gerenciamento da agenda institucional, organização administrativa e atendimento ao público, magistrados e magistradas. Para ela, qualidades como empatia e capacidade de ouvir são essenciais. 

Ao longo da carreira, enfrentou situações em que sua competência foi questionada por ser mulher. Ainda assim, construiu uma trajetória sólida, baseada na determinação. “Se estou ali, estou preparada para atender e exercer minha função, independentemente de ser mulher”. Sua trajetória também reflete a importância da independência feminina. “A mulher não precisa ter alguém ao lado dela para provar o seu valor”.  

A servidora Alianete Rodrigues da Silva também construiu uma trajetória inspiradora dentro do tribunal. Vinda de uma família humilde, ingressou inicialmente em funções operacionais, mas nunca deixou de acreditar em seu potencial. “Eu fazia café e limpava o gabinete, mas sempre quis aprender mais.”

Com dedicação e estudo, cresceu profissionalmente, assumiu novas responsabilidades e chegou à chefia do setor de estatística. “Todos nós temos condições de crescer. É só querer.” Como mulher negra, também enfrentou questionamentos sobre sua capacidade. “Perguntaram à minha mãe quem tinha me colocado aqui. Ela respondeu: ‘Ela passou no concurso’. Isso é muito gratificante.”

Equilíbrio, saúde e superação por meio do esporte
 

 

A dedicação também se expressa no cuidado com o corpo e a mente. As servidoras Marta Carmona Gomes e Andréia Bezerra de Azevedo encontraram no basquete não apenas uma atividade física, mas uma fonte de equilíbrio e superação.

Marta iniciou no esporte ainda na infância e retomou a prática na vida adulta, integrando uma equipe master que participa de competições nacionais. “Hoje o basquete faz parte da minha vida. Ele é a parte do equilíbrio, meu desestresse, faz parte da minha vida.”

Andreia retornou ao esporte após décadas afastada, em um momento de transformação pessoal. “O basquete melhorou todos os aspectos da minha vida, principalmente o mental. Ele trouxe alegria, equilíbrio e novas amizades.”

Ambas destacam a importância de as mulheres dedicarem tempo a si mesmas. “A mulher sempre se dedica ao outro, mas ela precisa se olhar e fazer algo por si mesma”, afirma Marta. 
Andréia reforça: “Uma mulher feliz acaba irradiando felicidade para todos.”

Como traduz o poema de Bráulio Bessa:

“A diferença é a força
A garra, a resistência,
A coragem, a sabedoria,
A pressa e a paciência.”

As histórias dessas magistradas e servidoras demonstram que ser mulher é exercer múltiplos papéis com coragem, sensibilidade e determinação. Elas são exemplos de que o protagonismo feminino fortalece não apenas as instituições, mas toda a sociedade.

Mais do que ocupar espaços, elas constroem caminhos.

Mais do que vencer desafios, inspiram novas gerações.

Porque ser mulher é, acima de tudo, transformar o mundo todos os dias.