Escola Judicial e Ouvidoria da Mulher do TRT/MS realiza a segunda edição do evento “Diálogos Inspiradores”
A Ouvidoria da Mulher com o apoio da Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região realizou, na tarde desta sexta-feira (10), a segunda edição do evento “Diálogos Inspiradores”, que neste ano trouxe o tema “Igualdade em Debate: Justiça do Trabalho, Violência Doméstica e Liderança Feminina”. Confira as fotos do evento clicando aqui.

Na abertura, o presidente do Tribunal, desembargador Tomás Bawden de Castro Silva, ressaltou a importância da iniciativa e destacou o comprometimento da instituição com a valorização das mulheres.“É uma honra abrir este evento. O prestígio à mulher no tribunal é evidente, inclusive em cargos de alta direção e na atuação das nossas valorosas juízas, cujo trabalho é de extrema relevância e dedicação”, afirmou.

O diretor da Escola Judicial, desembargador Francisco das C. Lima Filho, também enfatizou a relevância do tema e o avanço das discussões sobre igualdade de gênero.“Esse é um tema que empolga todos nós. Por incrível que pareça, ainda vivemos em um mundo marcado pelo poder masculino, mas felizmente a sociedade evoluiu e hoje vemos menos discriminação. Precisamos garantir direitos a todos, independentemente da origem, sexo ou gênero”, declarou.

A juíza Ana Paola Emanuelli Balsanelli, ouvidora da Mulher do TRT/MS, destacou o papel fundamental das ouvidorias na promoção de políticas públicas e no combate à violência doméstica no estado. “A violência doméstica infelizmente atravessa todas as classes, idades e profissões, não tem um CPF definido. Trabalhos como esse consolidam e prestam informações sobre essas políticas públicas. Nós, como agentes públicos, temos o dever de promover essa conscientização”, afirmou.

O evento foi dividido em dois paineis. O primeiro, “Violência Doméstica e Direito do Trabalho”, abordou a aplicação do Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero na Justiça do Trabalho, além das medidas protetivas e dos desafios no enfrentamento da violência doméstica. O painel contou com as palestras das juízas Laís Pahins Duarte e Hella de Fátima Maeda, com mediação da servidora Élida Martins.

A juíza Laís Pahins Duarte ministrou a palestra sobre a aplicação do Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero na Justiça do Trabalho, destacando a importância do diálogo constante sobre o tema e a necessidade de ações educativas e preventivas no combate à violência de gênero. “É muito importante que a gente possa tratar e dialogar sobre esse tema. A desigualdade é uma questão estrutural da nossa sociedade, então precisamos falar sobre isso, capacitar, orientar e conscientizar as pessoas. Os índices de violência contra a mulher estão aumentando, e essa desigualdade nos afeta, como mulheres, todos os dias. É imprescindível mantermos a conscientização sobre o assunto”, afirmou.

Ainda no primeiro painel, a juíza Hella de Fátima Maeda ministrou a palestra “Medidas Protetivas e os Desafios no Enfrentamento da Violência Doméstica”, ressaltando a importância de um olhar atento e comprometido sobre o tema. “É um tema bastante sensível na nossa sociedade e que merece um olhar dedicado, profundo e interessado.”, destacou.

O segundo painel, “Dialogando a Liderança Feminina: Elas em Foco”, propõe uma discussão sobre as barreiras e desafios que as mulheres enfrentam para assumir e se manter em posições de liderança. A conversa terá como debatedora a servidora Geslaine Perez Maquerte e a participação das magistradas Lilian Carla Issa, Priscila Rocha M. Mirault e Juliana Martins Barbosa, além das servidoras Graziela Martins B. de Siqueira, Francielly da Silva A. Garcia e Renata Vieira Genoud.

A juíza Lilian Carla Issa compartilhou uma fala inspiradora sobre superação pessoal e profissional. Titular da Vara do Trabalho de Corumbá, ela contou que o maior obstáculo que enfrentou na carreira foi a própria insegurança. Mesmo preenchendo os requisitos para concorrer à promoção de juíza titular, adiava a decisão por medo de sair da zona de conforto. Casada e mãe de três filhas, Lilian acreditava que buscar uma promoção poderia prejudicar a rotina da família.

A juíza Priscila Rocha M. Mirault compartilhou sua experiência ao assumir um cargo de gestão, destacando os desafios e a importância do equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. Apesar das dificuldades, Priscila ressaltou que o apoio das colegas e o trabalho em equipe foram fundamentais para superar os desafios. Hoje, à frente do centro que coordena, ela destaca a união e o companheirismo da equipe, composta majoritariamente por mulheres.

A juíza Juliana Martins Barbosa relatou que, ao receber o convite para o cargo de auxiliar da presidência, ficou surpresa, pois não se imaginava naquela posição, e antes de aceitar precisou considerar a família. Com dois filhos pequenos e o apoio do marido, ela admitiu que a decisão não foi fácil, mas o incentivo dele, junto à própria disposição, a motivou a aceitar. “Quando contei, meu marido recebeu com a maior naturalidade e me deu parabéns, mas eu ainda não sabia se ia aceitar e ele foi meu maior incentivador. E chegou meu segundo questionamento se eu era capaz. Muitas vezes recebemos desafios e nos colocamos o rótulo de que não estamos prontos para a missão”, contou.

De forma semelhante, a servidora Graziela Martins B. de Siqueira definiu sua experiência ao assumir um cargo de gestão como gratificante e desafiadora, ressaltando o impacto cultural que ainda coloca sobre a mulher a responsabilidade pela família. “Desde o começo recebi muito apoio, mas tinha dificuldade interna: precisava ser uma boa mãe, uma boa esposa. Meu marido sempre me apoiou incondicionalmente. Quando o doutor me convidou para ser secretária-geral da presidência, precisei mudar a rotina, e ele me ajudou, mas é um dia de cada vez. O que eu diria às mulheres é a coragem de assumir.”, explicou.

Encerrando o painel, a servidora Francielly da Silva A. Garcia compartilhou um relato inspirador sobre sua trajetória profissional e pessoal, destacando os desafios enfrentados e o aprendizado ao longo da carreira. Ela conta que cresceu em uma família conservadora e que a desigualdade de gênero esteve presente desde cedo em sua vida.“Quando surgiu a oportunidade de ser diretora, eu me sentia preparada tecnicamente, conhecia as rotinas, os processos e os advogados, mas tive dúvidas se teria autoridade, se conseguiria gerir homens e aplicar penalidades. Mesmo assim, aceitei o desafio e percebi que estou no lugar certo. Nosso feminino é a nossa força. E aos homens, digo: sejam companheiros e acreditem em nós. Assim como nos depoimentos que ouvimos hoje, eu também tive meu marido que me incentivou e me apoiou.”
