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Escola Judicial do TRT/MS promove evento sobre DESCA no Sistema Interamericano

A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT/MS) promoveu, nesta sexta-feira (18/9), o evento “DESCA no Sistema Interamericano: Desafios e Perspectivas para a Proteção dos Direitos Humanos”
O evento foi realizado de forma telepresencial 



A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT/MS) promoveu, nesta sexta-feira (18/9), o evento “DESCA no Sistema Interamericano: Desafios e Perspectivas para a Proteção dos Direitos Humanos”, com palestra ministrada pelo juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos Diego Moreno Rodríguez. O encontro abordou a evolução da proteção dos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais (DESCA) na jurisprudência da Corte, sua justiciabilidade e os desafios para transformar o reconhecimento desses direitos em medidas concretas.

Durante a abertura, o diretor da Escola Judicial do TRT/MS, desembargador Francisco das Chagas Lima Filho, destacou a importância do tema e a oportunidade de receber um integrante da Corte Interamericana. “É com imensa honra e alegria, e com um profundo senso de responsabilidade institucional, que a Escola Judicial recebe o juiz Diego Moreno Rodríguez. Estamos diante de uma oportunidade de ouvir um integrante da Corte Interamericana sobre a proteção dos direitos sociais, culturais e ambientais. Essa reflexão contribuirá não apenas para o nosso aperfeiçoamento acadêmico, mas também para o exercício cotidiano da jurisdição”, afirmou.

Segundo o desembargador, discutir os DESCA também significa refletir sobre democracia, cidadania e Estado de Direito. “Discutir o DESCA significa discutir o próprio sentido da democracia, da cidadania e do Estado de Direito. Significa perguntar qual sociedade queremos construir”, ressaltou. 

Unidade de Monitoramento

 

O desembargador Francisco das Chagas Lima Filho é o coordenador da Unidade de Monitoramento e Fiscalização das Decisões do Sistema Interamericano de Direitos Humanos (UMF/TRT24



Durante o evento, também foi apresentada a página da Unidade de Monitoramento e Fiscalização das Decisões do Sistema Interamericano de Direitos Humanos (UMF/TRT24), criada para ampliar o acesso a conteúdos relacionados ao Sistema Interamericano.

Acesse aqui a página da Unidade de Monitoramento e Fiscalização das Decisões do Sistema Interamericano de Direitos Humanos (UMF/TRT24)

“No âmbito do TRT24, essa preocupação também vem recebendo uma atenção muito especial. Essa unidade vem desenvolvendo um trabalho de grande relevância para aproximar a magistratura e a sociedade do conhecimento produzido pelo Sistema Interamericano,” explicou o desembargador.

A página reúne instrumentos internacionais de direitos humanos, protocolos, opiniões consultivas, decisões da Corte Interamericana e julgados do TRT/MS. O desembargador também às agradeceu às equipes de Tecnologia da Informação, Escola Judicial, Secretaria Judiciária e Comunicação pelo trabalho realizado para disponibilizar o conteúdo. 

O juiz Diego Moreno Rodrigues elogiou a iniciática do Tribunal. “Fiquei gratamente impressionado com o trabalho que vocês estão fazendo para divulgar e integrar o trabalho da Corte Interamericana”, afirmou. 

“DESCA no Sistema Interamericano: Desafios e Perspectivas para a Proteção dos Direitos Humanos"
 

A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT/MS) promoveu, nesta sexta-feira (18/9), o evento “DESCA no Sistema Interamericano: Desafios e Perspectivas para a Proteção dos Direitos Humanos”, com palestra ministrada pelo juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos Diego Moreno Rodríguez
A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT/MS) promoveu, nesta sexta-feira (18/9), o evento “DESCA no Sistema Interamericano: Desafios e Perspectivas para a Proteção dos Direitos Humanos”.



Na palestra, Diego Moreno Rodríguez apresentou a evolução da proteção dos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais na jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

O magistrado explicou que a Convenção sobre Direitos Humanos, inicialmente concebida principalmente como um tratado voltado à proteção dos direitos civis e políticos, passou por uma evolução interpretativa. Com isso, a proteção dos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais ganhou espaço no Sistema Interamericano. “Hoje a Convenção também envolve direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais. Essa mudança nos obriga, como juízes, a ter um intercâmbio, um diálogo”, afirmou.

Ao longo da exposição, o juiz abordou a introdução aos DESCA, as tensões existentes no marco normativo do Sistema Interamericano, a evolução do tratamento desses direitos na jurisprudência da Corte, exemplos de casos e as medidas de reparação determinadas em decisões envolvendo esses direitos. Também fez referência à proteção do direito ao trabalho em casos relacionados ao Brasil.

O palestrante também ainda três abordagens metodológicas utilizadas pela Corte na análise dos DESCA: o desenvolvimento progressivo, a análise dos direitos por conexão com outros direitos e a análise autônoma dos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais. 

Segundo o magistrado, os DESCA possuem forte conteúdo prestacional. Para que sejam efetivamente garantidos, os Estados não devem apenas respeitá-los, mas também adotar medidas concretas para sua realização. 

O palestrante destacou que a proteção dos DESCA está diretamente relacionada às condições essenciais para uma vida digna. “Porque esses direitos estão ligados a condições essenciais de vida, como saúde, trabalho, alimentação, água e acesso a um ambiente saudável”, explicou.

Para o juiz, um dos principais desafios atuais do Sistema Interamericano é assegurar o cumprimento das decisões e fazer com que as reparações determinadas pela Corte Contribuam para enfrentar problemas estruturais. “A Corte tem definido obrigações dos Estados e ordenado reparações voltadas a melhorar serviços e condições de vida e de trabalho”, afirmou.

O magistrado ressaltou que o reconhecimento dos DESCA precisa se traduzir em resultados concretos para a população. “A principal mensagem é que o reconhecimento dos DESCA deve se traduzir em medidas concretas, capazes de melhorar as condições de vida das pessoas”, destacou.

Ao final da palestra, o juiz destacou que a proteção dos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais ainda envolve muitos desafios e constitui um trabalho em construção.