Jovens de 14 a 24 anos tiveram, nesta sexta-feira (6), a oportunidade de conhecer empresas, buscar vagas e realizar cadastros para ingressar no mercado de trabalho por meio da aprendizagem profissional. O Feirão da Aprendizagem 2026 foi realizado na sede do Instituto Mirim, em Campo Grande, e reuniu empresas, entidades qualificadoras e instituições públicas em uma mobilização pelo trabalho protegido e pelo enfrentamento ao trabalho infantil.
A iniciativa buscou aproximar os jovens das oportunidades de formação e emprego por meio de contratos de aprendizagem, que combinam atividades práticas nas empresas com formação teórica. A modalidade permite que adolescentes e jovens tenham a primeira experiência profissional de maneira protegida, com qualificação e acompanhamento.
Durante o evento, foram disponibilizadas mais de 180 vagas de aprendizagem em áreas como logística, assistência administrativa, tecnologia da informação, indústria e manufatura.
A aprendizagem profissional é uma das estratégias para garantir que adolescentes e jovens tenham acesso ao mercado de trabalho de forma protegida, com oportunidades de qualificação e desenvolvimento profissional. “O Feirão da Aprendizagem oferece a esses jovens e adolescentes uma oportunidade de ingressar no mercado de trabalho por meio de um contrato protegido. Hoje, temos muitas crianças em situação de trabalho irregular, trabalho infantil que é proibido. Essa é uma oportunidade desses jovens e adolescentes terem uma oportunidade de ter um contrato de trabalho protegido, que chamamos de contrato de aprendizagem”, destacou a gestora regional do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem do TRT/MS, juíza Déa Marisa Brandão Cubel Yule.
A magistrada também ressaltou a importância da atuação conjunta das instituições para incentivar a qualificação profissional e ampliar as oportunidades de trabalho para os jovens.
O gestor regional do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem do TRT/MS, desembargador João de Deus Gomes de Souza, destacou a necessidade de fortalecer a cultura da educação e do trabalho como instrumentos de transformação social. “Precisamos a nossa mentalidade sobre a importância do trabalho e da educação.”
O superintendente regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso do Sul, Alexandre Morais Cantero também ressaltou a importância da iniciativa para interromper o ciclo do trabalho infantil. “Esse tipo de evento é fundamental para integrar o jovem ao mercado de trabalho, para, de fato erradicar essa chaga social que é o trabalho infantil. Nós precisamos trabalhar com educação, qualificação profissional e abrir portar para o futuro dessas crianças”, afirmou.
Parceria para transformar oportunidades em formação
A diretora do Instituto Mirim, Patrícia Saraiva, destacou a importância de reunir diferentes setores da sociedade em torno da aprendizagem profissional. Segundo ela, o enfrentamento ao trabalho infantil também exige atenção às condições socioeconômicas das famílias e o fortalecimento de políticas de apoio. “É muito importante que toda a sociedade, principalmente as empresas, os órgãos públicos e o segmento corporativo, compreenda a importância da aprendizagem profissional, compreenda a importância da aprendizagem profissional e abrace esse instrumento, para que a agente consiga envolver os jovens da maneira adequada, acolhê-los e prepará-los para o ambiente de trabalho”, afirmou.
A diretora também ressaltou que o trabalho desenvolvido pelo Instituto Mirim vai além da preparação para o mercado de trabalho. A entidade busca desenvolver habilidades profissionais e valores, estimular a autonomia e incentivar os adolescentes a estabelecerem objetivos para o futuro.
A importância das instituições formadoras também foi destacada pelo coordenador pedagógico da Cidade dos Meninos, Marco Antônio de Moraes. Para ele, a preparação dos jovens deve ir além da capacitação profissional e incluir o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais. “É importante fazer com que esses jovens não se capacitem apenas profissionalmente, mas que tenham condições de saber se comportar, se relacionar, ter uma vida emocional mais saudável e, principalmente, serem gestores da própria vida”.
A instituição desenvolve atividades pedagógicas e oficinas que incluem horta orgânica, jogos, esportes e outras experiências voltadas ao desenvolvimento de habilidades, à convivência e à formação dos adolescentes.
A integração entre formação e experiência profissional também foi apresentada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). A coordenadora pedagógica Isabella Macari explicou que a instituição atua na qualificação dos aprendizes e no acompanhamento das atividades realizadas nas empresas.
Durante o Feirão, o Senai divulgou a plataforma Conecta Senai, que permite aos jovens cadastrar currículos e às empresas consultar os perfis disponíveis para processos seletivos.
Após a contratação, os aprendizes passam a conciliar a experiência prática na empresa com a formação teórica oferecida pela instituição. O Senai acompanha tanto o desempenho dos estudantes nos cursos quanto as atividades desenvolvidas no ambiente de trabalho, verificando o cumprimento das condições previstas no contrato de aprendizagem.
Primeiros passos para o mercado de trabalho
Entre os participantes do Feirão estava o Joaquim, de 14 anos, que compareceu ao evento acompanhado da mãe, Tassiane Karina Avanci Cristoforo, em busca de uma oportunidade de aprendizagem.
A mãe do jovem contou que já havia realizado cadastros do adolescente em três instituições e aguardava os processos de seleção. A expectativa é que a experiência contribua para a preparação de Joaquim para o futuro profissional, além de ampliar sua autonomia e convivência social.
O Feirão da Aprendizagem foi uma realização do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho e Instituto Mirim.