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Escola Judicial do TRT/MS debate impactos das novas tecnologias nas relações de trabalho em Três Lagoas

A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT/MS) realizou, nos dias 22 e 23 de outubro, o evento “As Novas Tecnologias no Âmbito das Relações de Trabalho”
A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT/MS) realizou, nos dias 22 e 23 de outubro, o evento “As Novas Tecnologias no Âmbito das Relações de Trabalho”



A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT/MS) realizou, nos dias 22 e 23 de outubro, o evento “As Novas Tecnologias no Âmbito das Relações de Trabalho”, no auditório da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), campus de Três Lagoas. A programação promoveu reflexões sobre os impactos das transformações tecnológicas nas relações de trabalho e os desafios que elas apresentam para o Direito e para a atuação da Justiça do Trabalho. 

Confira as fotos do evento, clicando aqui. 
 

A abertura contou com uma apresentação cultural da Banda Cristo Redentor, sob a regência do maestro Luiz Carlos Relíquias da Silva
A abertura contou com uma apresentação cultural da Banda Cristo Redentor, sob a regência do maestro Luiz Carlos Relíquias da Silva



A abertura contou com uma apresentação cultural da Banda Cristo Redentor, sob a regência do maestro Luiz Carlos Relíquias da Silva. A mesa de abertura reuniu o diretor da Escola Judicial do TRT/MS, desembargador Francisco Filho; o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Amaury Rodrigues Pinto Junior; a diretora do campus de Três Lagoas da UFMS, professora doutora Larissa das Silva Barcelos; o vice-presidente da 2ª subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Três Lagoas, advogado Marcos Vinícius Massaiti Akamine; e a diretora do Foro trabalhista de Três Lagoas, juíza Beatriz Naki Shinzato Capucho. 

Parceria institucional e desafios tecnológicos

Durante a abertura do evento, o diretor da Escola Judicial do TRT/MS, desembargador Francisco Filho, relembrou sua trajetória como primeiro juiz do trabalho de Três Lagoas e destacou a importância de refletir sobre os desafios impostos pelas novas tecnologias, especialmente a inteligência artificial, que transforma a organização e a fiscalização do trabalho. O magistrado também ressaltou o papel da Escola Judicial na promoção de debates relevantes para a sociedade. 

O ministro do TST Amaury Rodrigues Pinto Junior destacou a importância de levar as atividades da Escola Judicial para dentro das universidades.
O ministro do TST Amaury Rodrigues Pinto Junior destacou a importância de levar as atividades da Escola Judicial para dentro das universidades.



O ministro do TST Amaury Rodrigues Pinto Junior destacou a importância de levar as atividades da Escola Judicial para dentro das universidades. Ao compartilhar experiências relacionadas ao contato com estudantes em Brasília, ressaltou que a aproximação entre a magistratura e o meio acadêmico contribui para a formação dos futuros profissionais e para a construção do futuro do país. 

A diretora do campus de Três Lagoas da UFMS, professora doutora Larissa da Silva Barcelos, enfatizou que as parcerias institucionais fortalecem a universidade. Ela destacou o estreitamento dos laços entre a UFMS e a Justiça do Trabalho e ressaltou a importância da inciativa para a comunidade acadêmica. 

O vice-presidente da 2ª Subseção da OAB em Três Lagoas, advogado Marcos Vinícius Massaiti Akamine, também destacou a relevância da parceria entre a universidade e a Escola Judicial do TRT/MS. Segundo ele, temas como inteligência artificial e trabalho por plataformas digitais são atuais e produzem impactos significativos nas relações laborais. 

Trabalho em plataformas e negociação coletiva

 

A palestra “Trabalho em Plataformas e Vínculo de Emprego” foi ministrada pela professora doutora Teresa Alexandra Coelho Moreira, com participação do procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Jonar Ratier Moreno como debatedor
A palestra “Trabalho em Plataformas e Vínculo de Emprego” foi ministrada pela professora doutora Teresa Alexandra Coelho Moreira, com participação do procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Jonar Ratier Moreno como debatedor.



Entre os temas debatidos esteve o trabalho em plataformas digitais e a caracterização do vínculo de emprego. A palestra “Trabalho em Plataformas e Vínculo de Emprego” foi ministrada pela professora doutora Teresa Alexandra Coelho Moreira, com participação do procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Jonar Ratier Moreno como debatedor. 

Durante a palestra foi abordado o controle exercido por plataformas digitais por meio de algoritmos e seus possíveis efeitos na caracterização da subordinação jurídica. Também foram examinados os desafios de aplicar conceitos tradicionais do Direito do Trabalho a novas formas de prestação de serviços, incluindo o trabalho realizado por meio de plataformas e a moderação de conteúdos digitais. A precarização das condições laborais associada ao gerenciamento algorítmico também esteve entre os pontos debatidos. 
 

A segunda palestra foi “Negociação Coletiva e Liberdade Sindical – Estudo de Algumas Decisões do TST desde a Perspectiva do Tema 1046/STF e das Normas”, ministrada pela juíza do trabalho Thereza Christina Nahas, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), com o juiz do trabalho Mário Bezerra Salgueiro, do TRT/MS, como debatedor
A segunda palestra foi “Negociação Coletiva e Liberdade Sindical – Estudo de Algumas Decisões do TST desde a Perspectiva do Tema 1046/STF e das Normas”, ministrada pela juíza do trabalho Thereza Christina Nahas, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), com o juiz do trabalho Mário Bezerra Salgueiro, do TRT/MS, como debatedor



A segunda palestra foi “Negociação Coletiva e Liberdade Sindical – Estudo de Algumas Decisões do TST desde a Perspectiva do Tema 1046/STF e das Normas”, ministrada pela juíza do trabalho Thereza Christina Nahas, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), com o juiz do trabalho Mário Bezerra Salgueiro, do TRT/MS, como debatedor. 

O debate abordou os efeitos do Tema 1046 do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionado à validade de normas coletivas que limitam ou afastam determinados direitos trabalhistas. A discussão destacou a necessidade de conciliar a autonomia coletiva e a liberdade sindical com a proteção dos direitos indisponíveis, considerando os limites da negociação coletiva e o papel do Judiciário nesse contexto. 

Provas digitais, execução e inteligência artificial 

 

A programação também incluiu a palestra “Provas Digitais e Medidas Atípicas na Execução”
A programação também incluiu a palestra “Provas Digitais e Medidas Atípicas na Execução”


A programação também incluiu a palestra “Provas Digitais e Medidas Atípicas na Execução”, ministrada pelo ministro do TST Amaury Rodrigues Pinto Junior, com a juíza do trabalho Beatriz Maki Shinzato Capucho como debatedora.

Ao aborda a geolocalização como meio de prova, o ministro discutiu sua admissibilidade no processo e a possibilidade de o magistrado determinar diligências para esclarecer os fatos. A palestra também tratou das medidas executivas atípicas, como a apreensão da carteira nacional de habilitação (CNH) e do passaporte, destacando a necessidade de fundamentação adequada e de elementos que justifiquem sua adoção.

O uso da inteligência artificial no Judiciário também esteve em pauta. O ministro compartilhou experiências de utilização das ferramentas e alertou para o risco de as chamadas “alucinações”, quando sistemas de IA produzem informações falsas ou imprecisas. Ele ressaltou a importância da cautela e da supervisão humana, de modo que a tecnologia funcione como instrumento de apoio, sem substituir a análise e o julgamento do magistrado. 

Limites da IA e a importância da mediação

Os desafios técnicos e éticos da inteligência artificial na área jurídica foram discutidos na palestra “O uso da IA e Seus Limites no Processo do Trabalho”, ministrada pelo advogado André Clemente Maranha. A mesa foi presidida pela advogada Daniele de Almeida Martins Costas, secretária-geral adjunta da 2ª Subseção da OAB em Três Lagoas, e teve como debatedora Esther Costas Gonçalves Pereira Ozanichi, conselheira da mesma subseção. O diretor da Escola Judicial, desembargador Francisco Filho, também participou da condução do painel. 
 

A programação incluiu um painel com mesa conjunta para abordar dois temas
A programação incluiu um painel com mesa conjunta 



O palestrante abordou os limites das ferramentas de inteligência artificial e os riscos de informações incorretas geradas por esses sistemas. A discussão enfatizou a necessidade de uso consciente da tecnologia, com verificação das informações e supervisão humana, especialmente na prática. 

A relação entre tecnologia e soluções consensuais foi tema da palestra “Tecnologia, Conflito e Consenso: a Mediação diante da Inteligência Artificial no Trabalho”, ministrada pela professora doutora Carolina Ellwanger, com participação da professora mestra Larissa Mascaro Gomes da Silva de Castro como debatedora. 

A exposição destacou a dimensão humana da mediação, que exige escuta, compreensão das perspectivas envolvidas e atenção às particularidades de cada conflito.  Nesse contexto, a inteligência artificial pode contribuir como ferramenta de apoio, mas não deve substituir o papel central do mediador na construção do diálogo e na busca pelo consenso.